O que é importante em sua empresa?

file0001154350520

Imagine uma pelada de futebol, dessas que sê vê nas praias. Dois pares de chinelos marcam os gols, um jogador para cada lado. As regras dessa partida são um pouco diferentes: ela vai durar dois minutos e cada gol vale uma moeda de 25 centavos. O jogo começa. Uma das pessoas com a bola, outra tentando impedir que ela passe, que faça o gol. Dependendo da habilidade dessa outra, o jogo pode bem terminar zero a zero. Quanto cada pessoa ganhou nesse exercício? E se as duas combinassem não defender, chutar fraco para que a bola seja recolocada rapidamente em jogo, procurando fazer o maior número possível de gols em dois minutos? Provavelmente, cada uma terminaria com uns cinco reais a mais na carteira. É isso o que Stephen Covey propõe em seu livro Primeiro o Mais Importante – Como ter foco em suas prioridades para obter resultados altamente eficazes (Editora Campus). Um jogo em que as pessoas se unam não para defender os próprios interesses, mas para fazer o que é melhor. No caso, ganhar algum dinheiro. Na sua empresa, o melhor significa um trabalho mais eficiente, com menos atrito e maior taxa de acerto/inovações/comprometimento.

Veja alguns conceitos para aplicar essa visão de equipe e fazer com que o ego de cada um não atrapalhe mais os trabalhos.

1 – Entenda primeiro

É fundamental escutar e entender o que o outro está querendo dizer. Como os outros enxergam tal situação. Entenda, em vez de tentar rebater. Trabalhe a questão até poder expressar o ponto de vista da outra pessoa melhor mesmo do que ela. Em seguida, encoraje a pessoa a fazer o mesmo com o seu ponto de vista. A partir daí identifique as questões chave daquela questão. O passo final é identificar que resultados constituiriam uma solução plenamente aceitável. Ou seja, algo que signifique que tanto você quanto a outra pessoa sairão satisfeitas e ganharão alguma coisa.

Essa terceira alternativa é conseguida depois de muitas conversas, de trocar ideias, de brainstorm. O importante é que você deve estar preparado para aceitar o ponto de vista do outro e procurar situações em que a outra pessoa ganhe, mas que você também saia lucrando. É importante não abrir mão de seu ponto de vista. Mas usá-lo para gerar uma situação melhor.

2 – Trabalhe diferente

Entender e aprender a escutar as pessoas da sua equipe afeta a confiança entre vocês e isso afeta toda a maneira como o líder trabalha. Covey mostra que entre equipes onde o nível de confiança é baixo, o líder ocupa seu tempo com controle, monitoramento, vistoria, micro gerenciamento. Quanto mais alto é o nível de confiança, mais as pessoas supervisionam a si mesmas, fazendo com que o líder tenha tempo para se dedicar a outros assuntos. Ele torna-se, para a equipe, uma fonte de auxílio: um facilitador, conselheiro, divulgador, mentor, treinador.

A avaliação também se dá de maneira diferente. Em um local onde o nível de confiança é baixo, a hierarquia é suprema, a avaliação de desempenho é externa e cobranças e julgamentos sobre performance são constantes e absolutos. Conforme o nível de confiança aumenta, essa avaliação fica em segundo plano, sendo suplantada em importância por uma avaliação interna e feita na hora que os fatos acontecem. As pessoas podem chegar ao líder e dizer coisas como “apesar de nossos números serem positivos, acho que tal e tal sistema podem melhorar se…”

Da mesma forma, a motivação. Deixa-se de lado a estratégia combinada de cenoura e chicote e passa-se a contagiar as pessoas com uma mesma visão de objetivos.

3 – De dentro para fora

Certo, você deu os passos necessários para implantar esse sistema de prioridade das necessidades do grupo acima das individuais, mas como pode fazer com que as pessoas da equipe abracem esse conceito? Covey diz que para as pessoas terem o poder de se gerir, de trabalhar focando a empresa primeiro, são necessárias diversas características.

A primeira e principal delas é a confiabilidade. E o autor explica um acontecimento em uma empresa, onde o líder pediu para que os membros de sua equipe dessem uma olhada nos classificados do jornal, de modo a identificar se havia alguma vaga para uma função semelhante à que eles desempenhavam naquele momento, em outras empresas, com mais atrativos. Vários encontraram tais vagas. O gerente então os mandou checar nas empresas, e verificar se eles realmente poderiam assumir os cargos. Foi um choque. Eles descobriram que estavam, todos, desatualizados, que não conheciam tecnologias ou tinham os cursos que os outros pediam.

Confiabilidade em uma pessoa é confiar na competência técnica e pessoal dela. É impedir que seu pessoal se desatualize ou perca aquela vontade de progredir no trabalho. Mostre a eles cursos, livros, faça acordos com escolas. Tenha certeza que sua equipe estará sempre preparada para enfrentar qualquer desafio.

Outro ponto importante é a colocação de acordos na mesa. Os objetivos da empresa, os resultados que devem ser alcançados, que recursos são necessários para isso. O líder deve se comprometer a fornecer alguns recursos básicos, e a equipe, se comprometer de forma a colocar aqueles objetivos em primeiro lugar. Comprometam-se, todos, a encontrar a terceira alternativa, aquela em que todos ganham. Por favor, não confunda com a forma como as coisas são decididas no Congresso Nacional: lá, eles também sempre procuram uma terceira alternativa e, muitas vezes, conseguem uma solução onde todos perdem ou algo inócuo que não muda nada. Tenha em mente os objetivos de cada um, da empresa e como atingi-los.

Comentários

(*) Obrigatório, Seu email não será publicado no site