A Síndrome do Sempre Ligado chega ao trabalho

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Que o ser humano é um ser social e precisa comunicar-se isso já sabemos. O problema é quando a Síndrome do Sempre Ligado torna-se a doença do momento para muitas pessoas, inclusive no ambiente de trabalho através do uso de aparelhos móveis conectados às redes sociais, causando até danos irreversíveis como doenças ocupacionais e até demissão de uma pessoa, devido ao mau gerenciamento do tempo e uso dos recursos tecnológicos.

Devemos ressaltar como essa falta de privacidade entre vida pessoal e profissional é burlada pela própria empresa, também. Isso porque é recorrente funcionários terem que atender solicitações ligadas à empresa em pleno horário de descanso – como no caso alguns aplicativos, baixados nos aparelhos móveis como smartphones, notebook e tablets têm acesso à caixa de mensagens e pessoal e também corporativos.

O que ocorre é que além da falta de privacidade, as pessoas perderam a noção de como essas interferências podem culminar em mais estresse e doenças ocupacionais como transtorno de ansiedade, por exemplo; já que as demandas do trabalho são enormes e a pessoa não consegue desligar-se de suas atividades laborais.

Outra questão envolvida é a segurança (ou falta dela) dessas informações acessadas em aparelhos móveis e pessoais que podem ter uma informação sigilosa ser indevidamente compartilhada, comprometendo até a imagem da empresa ou a instalação de vírus.

E no ambiente corporativo uma questão que está em voga é o resultado. Até que ponto todos esses artefatos podem ou não causar baixa produtividade de um funcionário e da equipe? O que se sabe é que a sociedade atual está cada vez mais conectada e em rede, contudo, vale o bom senso de cada pessoa usar esses artefatos móveis em horário de expediente na empresa. Inclusive, cabe a cada organização adotar o seu Código de Conduta e Etiqueta no Trabalho de forma a auxiliar cada funcionário nas rotinas administrativas e funcionais da organização, assim como os gestores e a equipe de RH precisam realizar suas campanhas educativas sobre o assunto.

Outro ponto que merece ser destacado é: ao mesmo tempo em que as tecnologias têm aproximados as pessoas, elas também têm distanciado. Isso porque as conversas “cara-a-cara” já estão em baixa frequência. Algumas pessoas vivem juntas, embora separadas, isso porque vivem isoladas com suas tecnologias, mesmo estando rodeada de outras pessoas. Na empresa, por exemplo, isso é um ponto crucial para o baixo rendimento, interação, desenvolvimento entre as pessoas e departamentos e a aprendizagem coletiva.

Existe situação mais constrangedora do que você iniciar uma conversa ou fazer um pedido ou uma pergunta e a outra pessoa simplesmente te ignora porque está ouvindo uma música ou teclando pra os amigos no mundo virtual? Se na vida real já vemos acidente acontecerem na rua por causa de uma distração alheia, imagine a proporção dessa postura em um ambiente de trabalho? Total desrespeito ao outro e falta de bom senso.

É como uma história mal ouvida, um relatório mal elaborado, a frieza nas relações interpessoais, a informalidade exacerbada através da comunicação verbal ou textual, e a síndrome do “estou sem tempo”. Por isso a importância de campanhas educativas deve ser estimulada no ambiente corporativo, através da área de RH com o apoio dos gestores, psicólogos e psicopedagogos.

Oportuno lembrar também como têm crescido as demissões e as causas processuais envolvendo empregador ou empregador pelo uso indevido de postagens, curtidas ou comentários ofensivos e preconceituosos nas redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram, WhatsApp, LinkedIn). Isso acontece porque algumas pessoas perderam a noção do perigo e já não há uma separação entre o público e o privado.

Algumas empresas, inclusive, responsáveis por recrutamento e seleção de funcionários, têm utilizado as redes sociais como meio para saber mais sobre o perfil e a conduta de um candidato numa seleção de emprego. Por isso a necessidade de manter uma postura pessoal e profissional de credibilidade, ética, confiança e respeito dentro e fora do ambiente de trabalho. Afinal, sua imagem é pública assim como a rede.

E em se tratando de uma síndrome, é importante lembrar que cada pessoa esteja atenta aos possíveis transtornos de estresse, do sono e do trabalho compulsivo que pode afetar a saúde mental, espiritual, emocional, física e social do indivíduo. Por isso, cuidado com as cobranças que você faz a si mesmo por causa do mau gerenciamento do tempo ou da demanda excessiva de trabalho que a cada dia é crescente, porque você não consegue manter o foco no desempenho de suas atividades rotineiras.

Há pessoas que são tão workaholics (viciados no trabalho) que acordam, dormem, pensam, respiram e vivem apenas pensando em trabalho. São desligadas do que acontece à sua volta e de informações importantes que circulam nas mídias. Acredito que tudo é uma questão de cada pessoa encontrar o tempo certo pra tudo – afinal, aprendemos muito com as interações e as trocas de ideias com as pessoas em diferentes momentos e espaços. Portanto, é preciso dar valor a pequenas atitudes importantes – sociabilidade, relaxamento, descanso, entretenimento, sair da caixa, da ilha e da bolha da individualidade no mundo real e virtual. Afinal, o mundo gira, as coisas acontecem, as pessoas se desenvolvem.

E no trabalho, o ideal é cada pessoa manter um planejamento diário sobre o que deve ser prioridade em suas atividades laborais, procurando canalizar as energias e o pensamento sobre aquele ambiente e suas atividades. Isso é o melhor remédio para manter a qualidade de vida dentro e fora do ambiente de trabalho, sabendo que não pode ser refém da tecnologia, mas usá-la a seu favor no equilíbrio da vida On-line e Off-line.

 

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