Por que não vale a pena ser “esponja” nesta vida?

08 - 09

O texto aborda uma reflexão sobre nos colocarmos como salvadores do mundo e recebermos o peso das más escolhas das pessoas que nos cercam e que amamos (família e amigos), nos tornando esponjas de emoções calcificadas e limitando o sucesso na nossa própria vida!

Eu tenho visto e ouvido muita gente dizer o quanto é difícil ser “esponja” e não filtro em relação às situações da vida, principalmente quando o assunto, tecnicamente, não deveria lhe causar nenhuma dor ou mágoa.

Mas, claro, para ter o radar tão aceso para este “problema”, me identifico com ele: eu também já fui muito esponja na vida. Já tive mágoas que pensei serem intermináveis, algumas minhas, porém muitas outras por sofrer pelos outros a dor (que eu acreditava ser dor) deles. Já me senti a própria justiceira por acreditar que “aquela pessoa” precisava de alguém que a “salvasse e, na pior das hipóteses, a vingasse”. Já sofri por não conseguir dizer um não e ter que parecer ser insensível, já chorei por acreditar estar magoando alguém quando tomava decisões difíceis, que diziam respeito ao outro.

Foram muitos momentos onde permiti que as minhas energias fossem sugadas por outras pessoas ou pelo acaso. Permiti que as opiniões e comportamentos alheios me magoassem e que esta dor invadisse a minha alma e se transformasse em culpa, o que me tornava refém dos meus próprios sentimentos de empatia e altruísmo.

É preciso saber que o que torna o remédio um veneno é exatamente a dose. Amadurecer não significa deixar de sentir, deixar de ser empático, deixar de permitir que os sentimentos difíceis tomem conta de você. Significa um aprendizado libertador, que é “creditar na sua conta apenas aquilo que te pertence e o que for do outro, deixar ser depositado na conta do outro”.

Mas o que exatamente isso significa?

Significa que é preciso soltar o cordão imaginário que nos prende ao outro e que nos faz acreditar que somos o centro do universo e que tudo o que acontece no mundo tem o objetivo nos atingir. De certa forma, por mais que quem sofra seja você, tem uma pitada de prepotência e egocentrismo imenso quando se acredita que o mundo gira ao nosso redor.

Em certo momento da vida, é necessário se conhecer melhor e compreender que todo mundo possui dificuldades e que é preciso vivenciar cada dor, cada perda e alegrias. Isso é a liberdade da qual eu falo tanto.

Significa deixar que as pessoas que nos rodeiam vivenciem “a dor e a alegria de ser quem se é”, no seu tempo. E isso serve para qualquer pessoa que seja de carne e osso, incluindo você.

Nesse processo, o olhar para o outro deixa de ser um olhar de complacência, pena ou piedade e passa a ser um olhar empático e compreensivo. Vamos descobrindo que todo mundo sofre as consequências das suas ações, sejam elas boas ou más. E que a forma de processamento mental é peculiar, podemos até não gostar, mas respeitar é fundamental.

E mais que isso, significa entender que a maneira como cada um é tem um porquê, e isso é lindo e duro em uma medida que você jamais vai entender, porque não foi vivido por você.

E é exatamente aí que mora a magia da vida. E nós, geralmente, não temos muitas certezas sobre o que estamos dizendo quando falamos da vida. Sabemos apenas que ela começa com o nascimento e termina com a morte. Durante o “intervalo” – vida e morte – somos responsáveis por preencher o espaço, até então, vazio. Somos responsáveis por desenhar a nossa própria história e julgá-la feliz ou triste.

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